A atual dependência de mercados e de relações internacionais, a facilidade de comunicação e partilha de ideias através da Internet e redes sociais bem como a rapidez de deslocação, tem vindo a contribuir para a intensificação do fenómeno da globalização.

Como consequência deste fenómeno, tem-se vindo a assistir a uma concorrência empresarial cada vez mais “feroz” quer no mercado nacional, quer no internacional.

Sem dúvida que a concorrência é essencial, na medida em que alavanca o interesse e a necessidade das empresas em melhorar, inovar e crescer com sustentabilidade. A existência de uma concorrência saudável, contribui para a oferta de um maior leque de produtos a preços mais “justos” com capacidade de responder às necessidades do mercado. O cliente atual é exigente, procurando satisfazer as suas necessidades através de aquisições “Value for Money”, isto é, a disposição de um cliente pagar um determinado montante (€) de acordo com o valor que o produto lhe pode oferecer (valor justo).

O desenvolvimento tecnológico exponencial nos últimos 20 anos, bem como o aprofundar de novos conhecimentos, permitem as empresas produzir a níveis de custos mais baixos com qualidade.

Então, porque temos uma sociedade consumista? O que despoletou a cultura do “usa e deita fora”?

Em primeiro lugar, o aumento de poder de compra em Portugal e a disponibilidade de novos produtos e serviços a preços mais “acessíveis”, foram os principais motivos que alavancaram o aumento do consumo.

É neste contexto, que a concorrência tem vindo a tornar-se cada vez mais severa, provocando a necessidade das empresas inovarem e se diferenciarem de forma a manterem-se sustentáveis, isto é, garantirem a geração de valor, mantendo a fidelização dos seus clientes e potenciar o aumento da sua quota de mercado.

O acesso de informação, as novas tecnologias aliado à maior exigência dos clientes, tem levado diversas entidades a adotarem estratégias que garantam a sua sobrevivência, isto é, que incentivem os clientes a comprarem regularmente.

Como?

Muitos consumidores têm sofrido de forma inconsciente de um fenómeno chamado, obsolescência programada.

A obsolescência programada consiste na decisão do produtor em propositadamente desenvolver, fabricar e distribuir um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto. Desta forma, as empresas garantem o consumo constante, através da insatisfação provocada pelo impedimento de satisfação das necessidades dos seus clientes, levando-os a adquirir novamente um novo produto.

Este fenómeno é notável, nomeadamente na indústria das novas tecnologias e telecomunicações, tais como telemóveis, computadores, televisões, entre outros, cujas empresas estipulam um prazo de garantia e após a mesma, o produto torna-se obsoleto. Além disso, o preço de recuperação dos mesmos é tão elevado, que induz o comprador a optar pela nova versão ao invés da reparação do antigo.

Curiosamente e como fruto deste ciclo vicioso e de consumismo, despoletou-se também o fenómeno de obsolescência percebida. Com o lançamento de produtos aparentemente mais agradáveis, com um design mais apelativo e embora com novidades funcionais mínimas, levam os consumidores a sentirem que os produtos antigos estão ultrapassados, induzindo-os à troca dos mesmos, ou seja, à aquisição de uma versão do produto mais atualizada.

É o caso da indústria automóvel e da moda, em que o produto ainda desempenha as funcionalidades procuradas pelo cliente, no entanto, este sente-se “desatualizado”, procurando uma versão mais recente e dentro da moda.

Além disso, existe outro tipo de obsolescência, a obsolescência funcional. Esta consiste na incompatibilidade técnica causada pela mudança ou upgrade de produtos dos quais a versão anterior depende, tornando-o obsoleto. Por exemplo, o caso das disquetes e CD’s que são incompatíveis com os atuais computadores, cassetes e leitores de vídeo, software do Windows (XP) sem assistência técnica, etc.

Em termos de conclusão, o ciclo de vida dos produtos têm vindo a reduzir-se de forma exponencial, alavancada fortemente pelas estratégias empresariais bem como pela recetividade e interesses dos consumidores na adoção de produtos mais agradáveis e atualizados.

Por Claúdia Teixeira,
Dezembro de 2013