Já pensou como seria acordar no dia 1 de Janeiro sem orçamento? … E que cada cêntimo que precisasse ter de ser justificado pelo proveito daí resultante? Agora imagine o quanto teria de ser comedido nos seus investimentos se todas as suas intenções fossem aprovadas e priorizadas apenas com base no ROI das suas propostas. Note quantos projetos deixariam de ser implementados se tivesse havido uma estimação rigorosa de benefícios e quanto âmbito cairia dos seus projetos se estes fossem aprovados apenas com base no valor gerado. Finalmente e do ponto de vista do recurso humano, quantos gestores deixariam de ter recebido prémio não por terem cumprido gastar o orçamento que lhes deram, mas, porque foram incapazes de criar riqueza. E quantos teriam sido demitidos caso se avaliasse o prejuízo gerado pelos investimentos ruinosos que decidiram?
Como não há proveitos quantificados, em vez de projetos, implementamos “pequenos monstros” que pretendem agradar a todos os stakeholders e realizar as maravilhas do imaginário. Investimento em futilidades, simplesmente porque “há budget aprovado”, descorando o mais nobre princípio da sustentabilidade económica e da geração de valor.
No âmbito de qualquer investimento reside a mais elementar e nobre competência da gestão – “medir o que é relevante”. Como pode um gestor realizar a sua missão e garantir a sustentabilidade do seu negócio ou do seu país se em contínuo investe em vaidades, imediatismos ou interesses pessoais, condenados a um “sunk cost” que em circunstância alguma contribuem para a criação de riqueza?.
Quotas orçamentais por direção ou departamento são esgrimidas ao cêntimo para repartir o orçamento do próximo exercício sem qualquer critério racional de pormos a nossa energia, o nosso capital humano e financeiro nas ideias, nas iniciativas, nos projetos que geram maior ROI para a organização. Quantos “pseudo-economistas” debatem infinitamente o problema do desemprego, da recessão económica, da falta de poder de compra, da crise, do orçamento, do retificativo, do PEC e serem incapazes de apresentar uma única e básica proposta estrutural de geração de riqueza.
Afinal como é que se gera riqueza?
O princípio económico da geração de riqueza baseia-se no processo de transformação capaz de gerar valor acrescentado. Sempre que investimos, procuramos uma de três dimensões ou qualquer combinação possível entre elas:
- Aumento Receita: novos clientes, novos mercados, cross/up-selling, retenção ou fidelização.
- Redução de Custos: decremento dos custos atuais e/ou evitar custos futuros.
- Eficiência: libertar capital humano, fazendo o mesmo com menos esforço.
Fig 1: As três dimensões de criação de riqueza económica
Do ponto de vista da gestão, a quantidade de técnicas capazes de realizar uma estimativa do plano de proveitos ascende às dezenas, desde técnicas de simulação que contemplam fatores exógenos e endógenos até técnicas para isolar efeitos cruzados e medir com rigor o contributo que cada decisão de investimento.
5 Regras em 5 Segundos:
- Não encapsulemos os nossos projetos na auréola do “estratégico” tornando-os sagrados e inquestionáveis.
- Não façamos dos nossos “business plans” meros jogos de excel, em que antes de fazermos os cálculos já conhecemos os resultados.
- Dimensionemos o orçamento dos nossos projetos pelos proveitos que nos trazem e não pelos desejos dos stakeholders.
- Avaliemos cada investimento no cenário conservador e não no cenário otimista, porque no papel todos os resultados esperados são fantásticos.
- Sejamos auto-critícos e tenhamos a coragem de medir os resultados após os investimentos.
Habituamos-nos ao precedente da “mesada”, agora gastamos sem justificação e perdemos a competência de criar riqueza.
Por Leandro Pereira,
5 de Maio de 2011




