LIDERANÇA

Ao longo dos tempos, vários pensadores, filósofos, psicólogos, historiadores têm estudado este fenómeno.

Aparentemente o consenso observa-se na conclusão de que um líder é aquele que é capaz de incutir nos que o rodeiam a motivação suficiente para os influenciar nas suas ações, tanto pela via racional, em que o líder é o caminho para que, cada um possa atingir os seus objetivos, como pela via emocional, em que o líder é aquele que gere as emoções dos seguidores e portanto, condiciona as suas ações, vendo nele uma referência e modelo de vida.

Todos nós acreditamos que somos livres, pelo simples facto de estarmos conscientes das nossas ações, no entanto, esquecemo-nos que o livre arbítrio das mesmas é condicionado inconscientemente pelas causas que as determinam, nomeadamente a emoção que os outros provocam em nós e a forma como lidamos com ela.

Um líder pode desencadear sentimentos extremos na sua equipa, dependendo da intensidade com que o faz e do padrão de valores, positivos ou negativos.

AUTO CONSCIÊNCIA

Pensemos por um instante o que seria um líder sem emoções.  Incompreensível.

Na verdade muitas das vezes quando não conseguimos interpretar as nossas emoções ancoramos a responsabilidade das nossas ações e do nosso estado atual de vida nos outros, desenvolvemos juízos de valor, criticamos, inibimos relações, criamos atritos relacionais, externalizamos e responsabilizamos tudo que nos acontece, não refletindo um só instante, no “eu” consciente e responsável.

Um líder que não seja capaz de fazer periodicamente uma reflexão dos seus pontos fortes e fraquezas está tipicamente a responsabilizar a sua equipa e o ambiente que o rodeia, buscando incessantemente explicações nos outros para o seu fracasso.

Na realidade a autoavaliação deve partir de um princípio primal, não somos na verdade apenas aquilo que achamos que somos, mas sim, um misto entre o que nós achamos, e o que os outros acham de nós.

É assim verdadeiramente útil que até o mais sábio dos líderes peça à sua equipa ajuda para se descobrir e cultivar uma liderança duradoura e efetiva.

Um líder ao conhecer os seus pontos fortes e fraquezas escolhe seletivamente o melhor caminho nas suas ações, distinguindo continuamente as opções que potenciam as suas melhores capacidades e qualidades e neutralizando ou evitando o que evidenciaria as suas debilidades.

Na verdade, um líder demonstra presença, segurança e carisma pois está consciente do contexto do momento, influenciou-o e age em conformidade.

AUTO GESTÃO

Um líder emocional gere os seus impulsos, comemorando entusiasticamente os feitos da equipa e suavizando conscientemente as suas emoções perturbadoras, sendo capaz de ficar calmo em situações de tensão ou angústia, jamais lamuriando-se da sua realidade.

O dia-a-dia vive-se com total transparência e partilha, mas sempre doseando o grau de detalhe de informação que transborda para a equipa, não permitindo que os problemas, dificuldades ou incertezas sejam vividos em demasia e ocupem lugar de destaque.

Como princípio de franqueza, um líder explica sempre o porquê das decisões que toma, pois a sua integridade é um pilar da sua liderança.

Admite abertamente os seus erros e falhas para proporcionar aos outros o contexto para também o fazerem, e assim partilharem uma consciência coletiva, encarando racionalmente e sem censura tudo que há a melhorar ou a corrigir, banindo do seu vocabulário expressões como “tu és”, “tu estás”, evitando a afronta pessoal e a pessoalização das situações, o que tipicamente é o primeiro passo para a divisão de uma equipa.

Na sua autogestão o líder demonstra uma elevada capacidade de adaptação às circunstâncias demonstrando-se ágil perante mutações rápidas e pensando com antecipação e clarividência nas opções e nos desafios que se avizinham.

Na realidade os padrões de exigência de qualidade são muito elevados, não se permitindo nunca ficar pelos mínimos e estando constantemente a melhorar o que fazem e a desenvolver os que o rodeiam.

Em todos os seus objetivos demonstra pragmatismo e não sabe trabalhar sem números e sem metas.

A sua capacidade de realização está na constante vontade em aprender e a ensinar, descobrindo sempre em cada momento uma nova forma de melhorar tudo aquilo que já faz.

Um líder emocional gere a sua vida e não permite que o contrário aconteça.

O otimismo é uma constante e palavra “ameaça” verte-se de significado, pois cada momento é uma oportunidade, e quando o momento não surge, a iniciativa é a resposta, em detrimento de ficar à espera.

CONSCIÊNCIA SOCIAL

Um líder emocional conhece a sua equipa como ninguém, tem de cada um dos seus elementos, um conhecimento profundo dos seus objetivos, medos e anseios.

A maioria deste conhecimento é captada por sinais emocionais, muitas vezes não-verbais, mas de indubitável significado.

O líder emocional escuta atentamente e está sempre a vestir a perspetiva dos outros, criando empatia, independentemente das raças, origens ou culturas.

A compreensão da realidade da organização é vital, lendo e antevendo relações de poder, capazes de criar influência e correntes políticas que podem por em causa os valores, os princípios e a integridade do próprio líder, nunca rejeitando um pedido de reunião ou desabafo de um colaborador.

GESTÃO DAS RELAÇÕES

Um líder fomenta as suas relações, desenvolve-as, escolhe criteriosamente com quem se relaciona, criando ressonância com todos aqueles que partilham os seus valores e princípios, transformando o trabalho do dia-a-dia num propósito comum, que vai muito além da mera tarefa, proporcionando em todos um sentimento de participação estimulante.

Na generalidade os seus seguidores não retêm a maioria dos ensinamentos técnicos do líder, da mesma forma que retêm os momentos de inspiração, franqueza e sentimento.

O líder deve tratar todos os temas de forma apelativa, conquistando a adesão dos interlocutores e criando redes que apoiem as suas iniciativas, desenvolvendo fortes catalisadores para fomentar a mudança.

Um verdadeiro líder não tem receio de trazer à mesa os conflitos, os sentimentos e as opiniões.

De ouvir todos os stakeholders envolvidos, de apreciar o ideal de cada um e de trabalhar intensamente na criação de um espírito comum de colaboração e equipa.

O líder deve ser sempre um exemplo e o responsável por desenvolver em todos aqueles que gravitam em seu redor a maturidade para não estarem incessantemente a culpar os outros dos seus fracassos ou desconfortos, sem se permitirem de ter um único momento de reflexão de si próprios.

A procura de uma atmosfera de colegialidade amistosa, de respeito comum, de espírito de entre ajuda e cooperação deve ser uma constante para realizar os objetivos.

O cérebro racional e o cérebro emocional formam a base de um líder, são como as asas de uma ave, que vivem num todo inseparável, capaz de sentir, pensar e agir com inteligência.

Por Leandro Pereira,

in RH Magazine Edição Nov/Dez de 2009