Durante muitas décadas os gestores encararam as emoções como ruído que perturbava o funcionamento racional das organizações, considerando-as como irrelevantes e ignorando-as. Mas, na verdade, observando a atuação dos grandes gestores, eles emocionam-nos, acendem a nossa inspiração, a nossa motivação, o nosso entusiasmo na realização dos objetivos. Quando procuramos explicar o porquê da sua eficácia, falamos em estratégia, visão, ideias inovadoras, mas, voltamos a estar muito enganados, a realidade é muito básica – a eficácia da gestão está na emoção. Em tudo que os líderes fazem, o sucesso depende da forma como o fazem.

A gestão moderna consequente de um estado global, sujeita a uma volatilidade e velocidade jamais outrora observada, dificulta a criação de relações de longo prazo entre o gestor e a sua equipa. A dinâmica e a flexibilidade da estrutura orgânica nunca no passado conheceram a necessidade desta constante mudança no processo de resposta aos projetos da organização. Acresce a dificuldade que, devido ao facto do gestor de projeto não ser tipicamente o gestor “ad eternum” do colaborador, a energia positiva emanada pode não ter o mesmo efeito e recetividade, carecendo assim de uma gestão emocional inteligente.

Assume desta forma o gestor de projeto um papel fundamental de liderança na condução das equipas de projeto através da capacidade de influenciar o comportamento das pessoas, atuando objetiva e diretamente na emoção do subordinado, sugerindo-lhe um determinado comportamento, potenciando sentimentos positivos, criando ressonância, aumentando o sentimento da empatia e de alinhamento, libertando o que há de melhor nas pessoas, conduzindo de forma inteligente as suas emoções para a realização dos objetivos dos projetos.

Se as emoções da equipa de projeto forem encaminhadas num ambiente de entusiasmo, o desempenho traduz-se em paixão pela realização, se a equipa de projeto for encaminhada num ambiente tóxico e agressivo, este cria desmotivação, desalinhamento traduzindo-se num clima de trabalho envenenado pelo rancor, ansiedade e paralisia.

Estudos científicos demonstram que os gestores otimistas, entusiásticos, empáticos, têm mais facilidade em reter colaboradores, funcionando como ímanes emocionais nos quais as pessoas têm tendência de gravitar em seu redor, enquanto todos aqueles que são dominados por estados de espírito negativo e agressivos tipicamente repelem todos os que se aproximam. Observa-se que a percentagem de tempo de trabalho durante a qual as pessoas sentem emoções positivas é um dos melhores indicadores do grau de satisfação e consequente indicador da probabilidade dos colaboradores saírem da empresa.

Se por um lado, cada ser humano é na maioria das perspetivas alguém sempre exposto num sistema aberto, dependendo muito de fontes externas para se regular a si próprio, tendo a base da sua estabilidade emocional ancorada nas relações com outras pessoas, por outro lado, nenhuma ave consegue voar com uma só asa… Formas talentosas de gestão só ocorrem quando se juntam a cabeça e o coração – o sentimento e o pensamento. São as duas asas que tornam possível que a liderança aconteça.

A direção e a assertividade em ambiente de emoção positiva são dotadas de uma eficácia acima da média, capaz realizar o milagre da produtividade e do comprometimento, constituindo um verdadeiro íman ressonante entre os membros de uma equipa e o seu gestor. A inteligência emocional tem por isso um lugar de destaque na bolsa de ferramentas de qualquer gestor inteligente.

Relembremos a frase de Albert Einestein: “devemos ter cuidado para não fazermos do intelecto o nosso Deus. É certo que tem músculos poderosos, mas não tem personalidade”

Por Leandro Pereira,
in RH Magazine Edição Maio de 2012