Longe vão os tempos em que os testes de luminosidade no local de trabalho, a frequência e tempo da pausa nos períodos de descanso ou as alterações de layout nas fábricas eram experimentados em laboratório de forma independente e rigorosa.

Hoje em dia, a volatilidade do contexto económico e social gera ruturas contínuas e permanentes no status-quo dos modelos de negócio. E põe continuamente em causa os dogmas (“pressupostos”) de outrora, elevando o princípio Darwiano ao seu expoente máximo, executando no dia-a-dia a seleção natural das empresas que já não dependem do quão grandes ou bem-sucedidas foram no passado, mas acima de tudo, quão velozes e inteligentes
estão para antecipar o futuro e assim criarem de forma sistemática vantagens competitivas sustentáveis.

É neste cenário selvagem que a única vantagem competitiva permanente é a humildade intelectual das organizações, dotada de uma loucura racional em mudar rapidamente mas de forma inteligente.

Comecemos pelo básico: “porque é que os clientes vão comprar na loja ao lado?”, ou será que vamos continuar a insistir em fazer campanhas de marketing para aumentar as vendas, quando o mercado conhece o nosso produto e o problema é o preço?

O maior erro das organizações são os pressupostos convertidos em atos de fé, sem qualquer base sustentada de verificação, experimentação ou cientificidade. A gestão científica permite criar uma organização inteligente, a qual diagnostica o problema, isola-o de forma objetiva, avalia os respetivos sintomas na tentativa do entendimento profundo das causas, e face a estas, traça um plano de intervenção efetivo.

Ao longo deste processo, ficam para trás dogmas, pressupostos, opiniões emocionais ou até por vezes a arrogância de não querer ver o básico (“eu ando por cá há muito tempo”) e prevalece a lógica, o método indutivo/dedutivo e a força dos factos, do laboratório ou da inteligência de grupo.

Por Leandro Pereira,
in Revista COMUNICAÇÕES da APDC, Abril de 2016